Propaganda Partidária Gratuita na TV

O DEM NA TV, AS PATRULHAS E HISTERIA LEGALISTA SELETIVA

quinta-feira, 27 de maio de 2010 | 22:40

José Serra, ex-governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB à Presidência, foi o grande destaque do horário político do DEM, que foi ao ar há pouco (vídeo acima). O programa, a exemplo da peça petista, exibida no dia 13 de maio, teve uma mensagem absolutamente clara, sem ambigüidades. Embora nem um nem outro tenham falado em eleição, os recados são inequívocos: para os petistas, Dilma é a melhor para dar continuidade à obra de Lula; para os democratas, Serra é o melhor para o Brasil conquistar mais do que já tem. E os dois estão falando sobre a mesma coisa: a disputa presidencial de outubro próximo. Mas os programas também têm uma diferença importante: o PT atacou Serra; o DEM não atacou Dilma Rousseff.

O DEM levou ao ar trechos do discurso que Serra fez no Encontro Nacional do dia 10 de abril, que reuniu PSDB, DEM e PPS. Da longa fala, deu-se destaque aos seguintes temas:

– agricultura:

– meio ambiente:

– segurança pública;

– Justiça.

O partido também deu ênfase ao trecho em que o tucano diz que um governo deve unir a nação, sem incentivar as disputas. Coube ao senador Agripino Maia (RN) a única referência explícita ao PT, partido, que, segundo ele, semeia a discórdia. Paulo Bornhausen (SC), líder do DEM na Câmara, fez a abertura. Trecho do discurso do deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente da legenda, também foi ao ar. O prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo, foi o segundo que mais apareceu: destacou as parcerias com o governo do Estado na cidade.

No que concerne a valores, o horário do DEM procurou evidenciar as ligações de Serra com os trabalhadores: o pai pobre, a criação do FAT, o Seguro Desemprego e a homenagem prestada aos operários que criaram o Rodoanel. O conjunto resultou otimista e triunfalista.

Justiça

Tão logo raie o dia, o PT entrará com uma representação no TSE contra o programa do DEM, sustentando que não poderia haver a intervenção de uma político de outra legenda. Certo como dois e dois são quatro. Em sua defesa, o DEM argumentará que apenas apresentou trechos de um víodeo, que isso é possível etc. Vamos ver. Dificilmente o argumento vai convencer os juízes. A exemplo do PT, não parece que o Democratas esteja muito preocupado com o horário político do primeiro semestre de… 2011!!!

Diferenças entre os horários do DEM e do PT

Exceção feita à discretíssima fala de Agripino, para quem o PT semeia a discórdia entre brasileiros, o programa do DEM ignorou seu principal adversário. E ninguém fez menção desairosa à candidata Dilma Rousseff. Já o PT tentou desqualificar Serra, fazendo-o representante de um governo que não teria apresentado nada de bom. Ou por outra: o DEM, por intermédio da edição de um discurso de Serra, pretendeu exibir as suas virtudes, mas sem atacar a candidata petista. Outra diferença importante: Lula apresentou Dilma como uma desconhecida que precisasse de recomendações. Os democratas não fizeram menção a Serra; nem citaram seu nome. Era como se ele se auto-apresentasse.

Não tenho contas a prestar a patrulheiros. Mais eles me patrulham, mais eu os mando plantar favas em vez de lhes fazer as vontades. Não dependo da boa-vontade deles para existir nem me sinto compelido a lhes dar satisfações. Lastimei a escolha que o PT havia feito pela ilegalidade na campanha eleitoral, cujo retrato são as quatro multas que Lula já recebeu do TSE e as duas aplicadas a Dilma. A questão que tem de ser respondida é se o PT será monopolista da transgressão das leis, e seus adversários, monopolistas da coerência. Aí a luta fica desigual. À Justiça então.

A peça, em si, foi boa. Terá sido eficiente? O tempo vai dizer.

Observo que pretendo ser coerente. Sobre o programa do PT, escrevi no dia 14 de maio e sustento ainda agora:

(…)

O PT, então, vai pagar alguns tostões de multa – imaginem o que representam R$ 25 mil reais em meio aos milhões que circulam numa campanha – e vai perder o tempo a que teria direito no semestre que vem, que nem é ano eleitoral!? A conclusão é uma só: o crime compensa. Assim, ou se opta pelo erro ou se passa, então, por bobo. O programa do DEM será no dia 27 de maio; o do PPS, em 10 de junho, e o do PSDB, 17 do mesmo mês. O que deve fazer cada um desses partidos? Respeitar a lei e dar ao PT a vantagem comparativa de mandar a legislação às favas ou responder na mesma moeda, apostando numa multa irrisória e na perda do tempo em 2011, quando os programas serão mesmo irrelevantes? Não fazê-los será até medida de economia!

Civilizados, diremos todos: “Não! Há que se seguir a lei! Um erro não justifica o outro!” E assim segue, então, o PT, sempre confiando que a coerência é uma cruz que deve ser carregada apenas por seus adversários, nunca pelo próprio partido? Boa parte das facilidades que Lula encontrou para governar, diga-se, decorreu deste fato: as oposições votaram com seus princípios; o PT, com o oportunismo.

(…)

Isso define a atuação política mais geral do partido. Quanto ao mais, noto que a histeria legalista seletiva é sempre um problema a mais, nunca uma solução. Continuo firme no propósito de que a lei deve valer para todos. Só para encerrar: o programa do DEM não trouxe nenhuma mentira. O do PT se excedeu nelas, conforme escrevi no próprio dia 13. Escrevi e posso demonstrar. Fica bom assim?

Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo

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