DEU NO JORNAL

UM TEXTO DE GRAVATAI MERENGUE

OS ALOPRADOS E A FUGA DA DILMA

Dilma Rousseff vive um momento bom e péssimo. A maré boa se dá pelas pesquisas, já que finalmente atingiu o patamar petista e governista. Seria hora, portanto, de surfar nessa onda. Mas não é o caso. O motivo: novo escândalo dos aloprados.

Até ontem, a candidata petista freqüentava feira agropecuária, até mesmo para falar mal do MST (seu parceiro), ia para debate em sindicato patronal da indústria, enfim, “estava em todas”. Agora, por óbvio, se aparecer em alguma entrevista será perguntada sobre as pessoas de sua campanha envolvidas na denúncia de espionagem.

Desta feita, cancelou participação na sabatina a ser realizada por UOL/Folha, desistiu do programa Roda Viva, e pelo visto não pretende aparecer tão cedo para dar uma palavrinha aos jornalistas cuja chapa não tenha o branco que seu partido merece. É uma tática, sem dúvida, mas que também expõe publicamente a fragilidade da candidata e, de certa forma, também a delicadeza do tema junto à cúpula de sua campanha.

Por falar em “cúpula”, quando o dossiê era ainda um assunto incipiente, o PT cometeu mais uma barbeiragem judicial e resolveu interpelar José Serra, para que se explicasse sobre ter imputado a eventual responsabilidade de Dilma no episódio. Dias depois – ainda no prazo para sua defesa – surgem evidências, provas e fatos colocando NO COLO da candidata todo o escândalo.

Isso tudo poderia ser apenas “azar”, mas o maior segredo para não correr riscos, convenhamos, é não fazer bobagem. Lanzetta é dono da empresa Lanza, que por sua vez é CONTRATADA (ainda é, aliás) pela campanha petista. O tal jornalista, que de autor de dossiê se tornou “autor de livro a ser lançado na web”, também é ligado à campanha de Dilma. Há também um empresário que se tornou muito próspero no Governo Lula e arcou com despesas… DA CAMPANHA DE DILMA (aluguel de mansão, viagens internacionais etc.). Todos eles estavam na reunião com os arapongas, provavelmente uma ocasião em que trataram de literatura russa.

A situação ficou tão patética que o Sr. Marcos Coimbra, dono do Vox Populi, cometeu um artigo no Correio Braziliense com trechos como os seguintes:

“Os dossiês na política – (…) A regra do jogo é fingir inocência sempre que se revela alguma coisa do mundo escondido. Quando alguém levanta o tapete e mostra algo feio, é essencial fazer cara de paisagem e se mostrar surpreso. (…) Mas, na época do mensalão, o que vimos foi o cômico ar de perplexidade de alguns parlamentares, o à vontade com que assumiam o papel de quem nunca tinha ouvido falar nas práticas denunciadas. Como se não fizessem exatamente o mesmo (ou muito parecido, para não generalizar demais). O caso do dossiê que a campanha Dilma teria mandado fazer contra Serra tem a ver com isso. Ele não é curioso apenas por ser um escândalo que não se concretizou (pois, pelo que consta, nada há no dossiê além de documentos já divulgados), mas por questionar e demonizar uma prática corriqueira. (…) Mas o que todo mundo que lida com a política sabe é que não houve na história nada de novo. Mesmo que não seja algo que se alardeia…” (grifos nossos)

É mole? Sugiro ao Sr. Marcos Coimbra, antes da pesquisa estimulada, que pergunte algo como:

– Você aprova o MENSALÃO, no qual se envolveu o atual Governo, e do qual Dilma fez parte?

– Você aprova a contratação de arapongas, reuniões secretas e fabricação de dossiês, como na campanha da Dilma, contra o adversário José Serra?

E aí, então, viesse a pesquisa com os nomes dos candidatos. Não há algumas pesquisas feitas com esse negócio de perguntinha entre a espontânea e aquela com os nomes? Já que é tudo corriqueiro, e seguindo o raciocínio do dono do Vox, provavelmente nada disso repercutirá negativamente, não é mesmo?

Mas, voltando à mulher do boi em temperatura amena, por que cargas d’água um DONO DE INSTITUTO DE PESQUISA escreveria artigo tão assim, digamos, favorável não apenas ao episódio do dossiê, mas até mesmo ao Mensalão? Bom, o texto é dele, a opinião é dele, e ele fala o que bem entender. Cabe aos outros – como eu – concordar ou discordar. No meu caso, discordo.

Coimbra se esquece do essencial: o “dossiê” é de somenos importância. Como ficamos sabendo, era o “café pequeno”. Houve proposta de contratação de arapongas para espionagem, uma reunião efetiva e, mais ainda, um empresário bancando parte da campanha. O “episódio do dossiê”, portanto, já virou piada de mictório perto da lambança toda – tanto que sairá como um livrinho mequetrefe sobre as privatizações (houve processo e o PSDB venceu em todas as instâncias).

Enquanto isso, Dilma foge da imprensa e corre pra Europa a fim de gravar programas fingindo ser uma liderança internacional ou coisa do tipo. Seria mais digno, ético e honesto ficar, responder e esclarecer. Ou alguém – mesmo petista – não concorda?

Aliás, será que vai também ao Irã e à Turquia? Afinal, o resto do mundo não anda exatamente em lua-de-mel com a política internacional brasileira (o vexame é tanto que nem mesmo o LÍBANO concordou com o acordo firmado na antiga Pérsia). Também temos a gloriosa Bolívia, cujos latifúndios cocaleiros, segundo a política antidrogas petista, permanecerão intactos no combate ao crack. Basta distribuir cartilhas.

Se der errado, depois é só fugir.

Por IMPRENSA MARROM
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