O fracasso dos debates e entrevistas

Publicado em 15/08/2010

Estamos em plena campanha eleitoral, onde o fazendão se choca frontalmente com o “país” na tevê, rádio e – agora – na internet.

Demorou, mas aconteceu. O primeiro debate entre os principais candidatos à Presidência da República e as primeiras entrevistas de peso em horário nobre apenas ligaram os motores de um processo que, espera-se, assuma ares mais decididos a partir de agora. Vamos a um rápido rescaldo dessa primeira experiência, até agora.

Tudo indica que a Band se preocupou mais em firmar-se como a primeirona nos debates do que com a substância. Daí a insistência no tema musical e no estilo “tuitado” de buscar as opiniões dos candidatos. Nesse momento, é preciso levar ainda em consideração outro aspecto muitíssimo importante: as emissoras são concessões públicas, e por isso mesmo deveriam promover, de alguma maneira mais aprofundada, o debate sobre os temas nacionais.

A partir daí, entende-se que o debate (quente, morno ou frio) deveria se estender pelo dobro ou mais do tempo e, dentro dessa perspectiva, vê-se que a formatação da Band deixou a desejar – sob vários aspectos. As perguntas diretas aos candidatos deveriam ter sido restritas a alguns blocos. O início, no entanto, deveria conter um “round-robin” obrigatório (por 2 blocos, digamos) onde uma mesma pergunta deveria ser dirigida a cada um dos candidatos, sem direito a comentário por parte dos outros. Assim, seria evitada a “discriminação” reclamada pelo candidato Plinio de Arruda Sampaio. Outros dois blocos privilegiariam as perguntas diretas e pelo menos mais três se concentrariam em temas da atualidade.

Um bloco discutiria especificamente, por exemplo, Segurança; outro, Educação; outro, Saúde Pública; outro, Economia; outro, Planos de Governo. Nesses blocos específicos haveria perguntas obrigatórias para cada candidato, (feitas por jornalistas não apenas da emissora, mas também convidados de fora, como cidadãos comuns) e as aleatórias (candidato para candidato, escolhendo livremente a quem faria a pergunta).

As respostas, réplicas e tréplicas deveriam obedecer a um esquema descendente de tempo – 4, 3 e 2 minutos, para que cada candidato pudesse mostrar com um mínimo de detalhamento a sua proposta – ou fragorosamente o contrário, como se viu na Band – e a discussão sobre determinado tema não se arrastasse indefinidamente.

Novamente, consoante com o fato de que as emissoras são concessões públicas e que esse(s) debate(s) são de interesse público – afinal, estamos discutindo o nosso futuro, como nação – seu início deveria ocorrer por volta das 19h30 e terminar depois da 01h00, sem preocupação com níveis de audiência. Da mesma forma que todos os candidatos registrados – independentemente de sua posição nas pesquisas junto ao eleitorado ou na representatividade de seu partido no Congresso Nacional – deveriam ter o mesmo tempo (no caso da Globo, 12 minutos) para expor suas idéias.

Resumo nada auspicioso das duas óperas executadas até o momento: talvez forçada pelas circunstâncias políticas (e vergada pela mediocrização que invadiu o Brasil), a Band foi obrigada a se curvar e promover algo que deixou muito a desejar. Já a Globo ignorou o conceito básico de democracia (e, mais do que isso: o fato de que muitas propostas não encontram eco junto ao eleitorado exatamente por causa de tempo de exposição de qualidade na mídia) ao passar a régua nos três mais “populares”, deixando os outros de fora do JN.

Fonte: Direto da Redação

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