PT E MALUFIZAÇÃO


Paulo Maluf possui trajetória política controversa e esse talvez seja um filme não apenas já visto, mas que estejamos vendo novamente. Prestem atenção:

a) Ele abusa de sua estranha fama como “bom gestor”, mostrando seus feitos, sem tratar dos vários problemas notórios (preços MUITO altos, problemas judiciais, entre outros);

b) Baseou várias de suas ações no populismo, tais como o “Leve Leite” e demais paliativos, ganhando assim apoio eleitoral imediato daqueles diretamente beneficiados, mas sem um profundo planejamento de longo prazo – anos depois, como visto, os resultados não foram/são tão louváveis;

c) Independentemente do naipe de seus aliados, quase todos muito conservadores, dizia-se (e ainda se diz) um defensor das lutas populares, trazendo a seu partido a qualificação de PROGRESSISTA (termo agregado há décadas à sigla);

d) Enfrentou (e enfrenta) vários processos, muitos mesmo, mas usa diversas desculpas para responder aos óbvios questionamentos: – é tudo motivação política ou eleitoral / – nada foi provado em última instância / – fazem isso porque eu mostro resultado / – estão requentando coisa antiga / e assim por diante…;

e) Seus defensores alegam que, apesar das acusações (e processos), o importante é que ele ganha as eleições, e isso seria uma demonstração objetiva de que a população o aprova e, nesse sentido, ele fez algo de bom;

f) Sua carreira estava ruim nas urnas, perdia várias eleições, até que Duda Mendonça apareceu e pôs “emoção” na campanha, deixando de lado projetos concretos para falar direto ao eleitor – e então ele venceu. Dali em diante, as campanhas não falariam mais o essencial, mas sim apenas o que o povão gosta;

g) Quanto aos processos, aliás, além daquilo dito no item “d”, ele também responde dizendo que foi o prefeito mais bem avaliado de todo o Brasil (como se isso servisse como tese de defesa ou motivo de absolvição automática). E, de fato, elegeu um sucessor que ninguém nunca tinha ouvido falar (Celso Pitta), alegando na época ser alguém “de grande competência técnica”.

A história parece familiar não apenas por termos “visto esse filme”, nem pelo fato de Maluf ser um aliado do Governo Federal, mas também porque…

a) A fama de boa gestora da Dilma é uma fabricação apressada. Não há qualquer subsídio para isso. Nas Minas e Energia fez uma caca homérica e, na Casa-Civil, o malfadado PAC não saiu do papel (cerca de 15% foi concretizado);

b) Ações do governo federal, e algumas delas mesmo boas, são infelizmente baseadas no populismo, atreladas à figura pessoal do Presidente, utilizando-se depois a moeda de troca eleitoral (Lula já chegou a condenar isso, é só buscar no Youtube). Hoje, usa o expediente de forma tranqüila, chegando ao ponto de chamar um de ‘pai’ outra de ‘mãe’ de programas governamentais (alguns criados em gestões passadas);

c) Dilma tem Maluf no Governo Federal, Sarney e Collor em sua aliança eleitoral, mas não vê problema em dizer que é a “esquerda” enquanto os adversários seriam a “direita”. É o mesmo que Maluf se dizer “progressista”;

d) As desculpas de Maluf lembram as do PT quando precisa explicar os escândalos que surgem a cada dia;

e) O mesmo fazem militantes petistas quando a casa cai (e isso tem acontecido sempre). Alegam que o importante é liderar pesquisas e/ou ganhar eleições. Trocando em miúdos: comemoram o fato de que o povo não tem acesso às minúcias de alguns crimes praticados contra eles próprios;

f) Lula também perdia todas suas eleições, até que contratou Duda Mendonça (em vez de discutir projetos, fazia campanha feito telenovela). Depois, o próprio Duda confessou que recebeu dinheiro no exterior, de origem até hoje não sabida – depoimento obtido na CPI do Mensalão. O caso ficou por isso mesmo;

g) Como no caso de Maluf, que alega ser o prefeito mais bem avaliado da história do Brasil, os petistas alegam que Lula é o presidente mais bem avaliado de nossa história (para responder a qualquer escândalo, processo ou coisa do tipo). Em tempo: o segundo presidente mais bem avaliado e popular foi Medici.

O triste é que essas semelhanças não são exatamente meras coincidências. Maluf não foi o primeiro, talvez o que aconteça hoje não seja o final de um ciclo. É algo permanente, para infelicidade de todos. Só espero que não neguem ou, caso o façam, usem pelo menos uma das desculpas clássicas, para que possamos rir (no sentido tragicômico, claro).

Fonte: Blog da ImprensaMarrom

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