CASO ERENICEGATE, DILMAGATE, LULLAGATE E PTGATE.

Suspeitas de tráfico de influência derrubam ministra-chefe da Casa Civil.

Cinco dias após reportagem de denúncia da revista Veja, Erenice Guerra entregou o cargo. Mesmo negando as acusações, ela não resistiu a mais uma denúncia, desta vez, publicada pelo jornal Folha de São Paulo.Na reportagem da Folha de São Paulo desta quinta-feira, Israel Guerra, filho da ex-ministra Erenice, é acusado de cobrar comissão para liberar um crédito no BNDES, que é um banco estatal.

A acusação é do consultor Rubnei Quícoli, que trabalhava para a EDRB, empresa de campinas, interior de São Paulo, que tinha um projeto de energia solar para o Nordeste.

Ele disse que a EDRB precisava de R$ 9 bilhões do BNDES e teria sido aconselhada a procurar a empresa que facilitaria o negócio, a Capital, consultoria que tem como um dos sócios Saulo Guerra, também filho de Erenice.

Representantes da EDRB, como mostra uma mensagem de e-mail, tiveram uma reunião na Casa Civil, em novembro passado, para tratar do assunto. À época, Erenice era secretaria-executiva e a ministra era Dilma Rousseff.

Nesta quinta-feira, o consultor Rubnei Quícoli confirmou a reunião ao Jornal Nacional.

“Nessa primeira oportunidade que a então secretária, hoje exonerada, que é o que a gente está sabendo o final de tudo que aconteceu, ela se colocou numa situação que
iria viabilizar o projeto através da Chesf, que é a Central Energética do São Francisco”, declarou ele.
O governo confirma a reunião, mas nega a presença de Erenice.

Depois do encontro, a empresa do filho de Erenice teria cobrado um preço alto para viabilizar o empréstimo, de acordo com o contrato: seis prestações mensais de R$ 40 mil e mais 5% do valor do empréstimo, R$ 450 milhões, caso tudo desse certo.

Quícoli disse que a empresa se sentiu chantageada e cortou negociações em março deste ano. Logo depois, outro intermediário do negócio, Marco Antonio Oliveira, ex-diretor dos Correios, também teria pedido propina para pagar dívida de campanha.

“A última conversa que eu estive com Marco Antonio, ele me pediu R$ 5 milhões e esses R$ 5 milhões seriam para pagar alguma conta da então candidata Dilma, da ex-ministra Erenice Guerra e também para ajudar o candidato Hélio Costa, de Minas Gerais, a candidatura dele. Eu neguei tudo isso aí, não quis participar disso. Eles insistiram nesse dinheiro para poder sair o projeto. Foi quando o Marco Antonio disse para mim que o Israel Guerra, o filho da ministra Erenice, disse que se eu não pagasse, não sairia o projeto mais”, afirmou.

A EDRB diz que não pagou a propina. Quícoli, que respondeu a processos por receptação de produtos roubados e por coerção a uma testemunha, disse que a denúncia não tem motivações políticas.

“Nunca, nunca houve, jamais. Eu nunca estive com Serra, com Marina. Nunca falei nada. Sou filiado ao Greenpeace desde 2001. Eu, quando garoto, com uns 20 anos, pertenci ao PDT e PSDB. Houve filiação, mas não sei se foi concretizada via cartório”, afirmou.

O BNDES emitiu nota para repudiar insinuação de envolvimento em suposto esquema de favorecimento. O empréstimo de R$ 2,25 bilhões, e não R$ 9 bilhões, teria sido negado entre outra razões, porque era incompatível com o porte da empresa EDRB.

As negociações teriam sido intermediadas também por Vinícius Castro, que era assessor da Casa Civil e que foi exonerado segunda-feira passada por causa de outra acusação, que envolve a Casa Civil, Erenice Guerra, seu filho Israel e a empresa Capital.

A Polícia Federal investiga o caso. Como Erenice não é mais ministra, ela poderá ser investigada sem a necessidade de autorização do Supremo Tribunal Federal.

A denúncia foi publicada na revista Veja desta semana. Israel e Vinícius teriam facilitado a renovação de um contrato da empresa aérea MTA, que presta serviços aos Correios. Quem acusa é Fábio Baracat, que atuou como representante da empresa.

Ele declarou à revista que foi informado de que para conseguir os negócios era necessário conversar com Israel Guerra e seus sócios, bastava pagar. “Minha mãe resolve tudo”, teria dito Israel.

Baracat contou ainda que foi recebido no apartamento funcional de Erenice, quando ela era secretária-executiva da Casa Civil. Para ele, Erenice teria deixado evidente que o filho e o sócio falavam com aval dela.

Em resposta à revista, o próprio Israel Guerra admitiu que levou Baracat à casa da mãe, mas na condição de amigo. Em resposta à revista, Erenice se disse caluniada, negou as acusações e disse que processaria a revista.

Em nota no fim de semana, Baracat desmentiu a reportagem. Mas confirmou que atuou em defesa da MTA, que conhece o filho de Erenice e que havia uma cláusula e pagamento por sucesso da operação.

Israel Guerra admitiu à revista que construiu argumentação e embasamento legal para a renovação da licença da MTA na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mas negou ter feito tráfico de influência.

A Veja publicou um contrato de prestação de assessoria feito com a mesma empresa do filho de Erenice. A contratante é uma empresa de transporte que nega conhecer o contrato.

O documento tem cláusulas bem parecidas com as do contrato publicado nesta quinta-feira pela Folha de São Paulo. Só o pagamento é diferente: R$ 24.738 de remuneração e mais 6% do que capital conseguir junto a instituições.

A Capital foi desativada recentemente e tinha sede numa casa, no Distrito Federal, o mesmo endereço de Israel.

A EDRB soltou uma nota, no começo da noite, dizendo que a denúncia publicada nesta quinta pela Folha de São Paulo é de responsabilidade do senhor Rubnei Quícoli, que não responde legalmente pela empresa.

Mas, em Campinas, em entrevista ao repórter Alan Severiano, os donos da empresa acabaram por confirmar que houve cobrança de dinheiro para que o negócio fosse adiante.

Repórter: Por que vocês resolveram não fechar o contrato que foi sugerido pela empresa de intermediação?

Aldo Wagner: Porque a gente não concorda.

Repórter: Por que motivo?Aldo Wagner: O pagamento do dinheiro, só isso.

Repórter: Agora vocês tinham a informação de que havia também uma cobrança de 5% do valor total?

Aldo Wagner: Não, não tínhamos essa informação, não.

Repórter: Essa informação estava no contrato que foi apresentado ao senhor no dia da reunião.

Aldo Wagner: Sim. Ele veio depois. A gente só soube depois, não durante.

Repórter: O senhor não tinha percebido os 5%, foi isso?

Aldo Wagner: Exatamente. A gente só leu a primeira parte. Quando chegou determinado ponto, a gente disse até aqui não dá para continuar mais. Encerramos o negócio.

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, negou o envolvimento de Dilma Rousseff com as denúncias do consultor Rubnei Quícoli. Em nota divulgada na página do partido na internet, Dutra afirmou que vai adotar medidas judiciais contra o consultor. E pedir que a Polícia Federal investigue o episódio.

Também em nota, o candidato do PMDB a governador de Minas, Hélio Costa, afirmou que o consultor é um indivíduo de reputação comprometida pelo envolvimento com roubo e receptação de dinheiro falso. Costa disse que vai processar Quícoli por tentar envolver o nome de Dilma Rousseff e o dele numa denúncia caluniosa.

Jean.
Por e-mail.

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