VENEZUELA – Eleições 2010

Eleitores estragaram a festa de Chávez

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ao votar neste domingo, em Caracas, acreditava na “voz do povo” para manter sua ampla maioria no Congresso. Mas os 67,5% dos eleitores que compareceram as sessões eleitorais, um índice altíssimo, levando-se em conta que na Venezuela o voto não é obrigatório, estavam dispostos a estragar, a festa do Presidente. Na verdade Chávez perdeu capital político para sua tentativa de reeleição em 2012.

Foto: Reuters

A votação de ontem, mostrou que os truques e os programas sociais perderam eficácia eleitoral diante de outros problemas, como a criminalidade, a ineficiência dos serviços públicos, a corrupção e a persistência da crise econômica.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: ”thepassiranews”, El Universal, TV1 – RTP, O Globo, El Universal, El Nacional, Globovision, Estadão


Os resultados apresentados pelo Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela demonstraram que apesar de manter ampla maioria no congresso (96 deputados), o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do Presidente, perdeu a maioria de dois terços que precisa para continuar a aprovar mudanças constitucionais, pois a oposição obteve 61 cadeiras. Foram eleitos também mais dois deputados do PPT que não se configura automaticamente oposição, mas está longe de apoiar cegamente Hugo Chávez.

Do universo de 17,5 milhões de eleitores, quase 12 milhões enfrentaram filas de mais de três horas, determinados a votar. Recorde absoluto de comparecimento, num país onde o voto não é obrigatório.

Quando os primeiros resultados foram surgindo, viu-se que as pesquisas retratavam a verdade e o Partido de Chávez, apesar de continuar com ampla maioria, não tem mais poderes para fazer leis sem negociar com a oposição.

Foto: Getty Images

Eleitores venezuelanos fizeram fila diante de uma sessão eleitoral em Caracas

No primeiro momento através do Twitter, sem perder a pose, Hugo Chávez disse que o resultado das eleições foi uma “vitória sólida” do “socialismo bolivariano e democrático”.

Foto: Reuters

Porém, Ramón Aveledo, porta-voz do bloco da Oposição,(foto) fez a leitura de uma Venezuela que “quer uma Assembleia plural, apesar da perversão do sistema eleitoral, que, com menos votos, permite que (o Governo) ganhe mais deputados”. “Somos maioria, temos 52 por cento dos votos. Esses 52 por cento vão crescer nos próximos dois anos”, vaticinou.

Acontece que mesmo com a maioria dos votos nacionais, 52 por cento, os opositores não conseguem suplantar Chávez na Assembleia Nacional, pois numa manobra “legal”, o congresso fiel ao presidente aprovou uma lei, no começo do ano, redistribuindo os distritos eleitorais em oito dos 24 estados do país, para favorecer o PSVU nas eleições.

O jornal “El Nacional”  comemora no texto acima da manchete: ”A oposição rompeu a maioria do chavismo, que perde a hegemonia na Assembléia Nacional”

Resumidamente a redistribuição fez com que nas áreas de influência de Chávez, pudessem eleger mais representantes para a Assembleia, que as zonas onde a oposição tem mais influência. Os opositores dizem que devido estas alterações, um voto para o governo passou a valer por dois votos da oposição.

Na mídia, a batalha de informação é voraz: enquanto a Agência Venezuelana de Notícias fala de uma “grande vitória socialista”, escrevendo que “o povo venezuelano conseguiu uma grande vitória no caminho para a consolidação do poder popular”, a cadeia televisiva privada Globovisión apoia-se no total de votos em todo o território do país para noticiar que “a Oposição é maioria com 52 por cento do voto popular”.

O diário 2001 sublinha que “a Oposição quebrou a maioria oficial na Assembleia”, pondo assim termo ao “monopólio necessário para aprovar leis e nomear membros dos poderes públicos”.

O Correio do Orinoco noticia que o PSUV se consolida como o principal partido da Venezuela, ao passo que o diário La Voz escreve que “a Oposição esfriou a festa a Chávez”.

O jornal Tal Qual, conotado com a Oposição ao Presidente, noticia que a “Assembleia é plural” e o jornal El Universal, disse: “Oposición rompe mayoría calificada del PSUV”

Foto: Getty Images

Chavista deprimida pelo resultado eleitoral e pela ausência do presidente, embora tivesse descolado uma admirador de peso

A verdade é que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, compareceu, como tinha anunciado, em um ato organizado por seu partido nas cercanias do palácio de Miraflores, sede do governo, para comemorar a vitória nas eleições legislativas do domingo, Os seus partidários esperaram em vão.

A NOVA FACE DA OPOSIÇÃO A CHÁVEZ

Foto: Reuters
María Corina Machado (foto)apareceu durante a campanha e depois de pleito, como uma promessa carismática da oposição pronta a enfrentar o chavismo, após conquistar com milhares de votos, um assento na Assembleia Nacional, pelo estado de Miranda.Apresentando-se como independente, sua plataforma de oposição foi clara.”No domingo, os venezuelanos poderiam escolher entre dois modelos de sociedade: um centralista e militarista, que vem concentrando poder e cerceando liberdades, e um descentralizado, com instituições democráticas e sólidas.”Corina tornou-se conhecida como presidente da ONG Súmate, que tem feito oposição, sob o manto de proteger a democracia e os perseguidos pelo chavismo no país.

Ninguém sabe quanto tempo ela resistirá com promessa da oposição para 2012.


Foto: Reuters

Hoje Chávez escreveu no Twiter: “Bons dias mundo lutador! Um breve descanso reparador e … a seguir a Batalha! Dizem os esquálidos que ganharam. Bom, sigam “ganhando” assim!”
Desde 1999, quando Chávez chegou ao poder, não será a primeira que o presidente venezuelano detona quem quer que seja que apresente credenciais de liderança para enfrentar o governo.“É parte importante da estratégia chavista não permitir que nenhum líder opositor se destaque a ponto de ameaçar o status atual”, declara o professor de Ciências Sociais da Universidade Central, Luis Guerra. “Todos, de líderes sindicais a dirigentes estudantis, que ousaram atrair mais atenção da população do que Chávez atrai, acabaram se tornando alvo de uma campanha de difamação ou da simples perseguição política.” E acabaram saindo de cena

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