ELEIÇÕES 2010

Quinta-feira, Outubro 07, 2010

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ARTIGO: Dilma e o aborto
Por Nilson Borges Filho (*)

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A candidata Dilma Rousseff em entrevista à revista Marie Claire afirmou, sem rodeios, ser favorável a descriminalização do aborto. Em outra oportunidade, manteve a mesma posição quando questionada pelo jornalista Fernando de Barros e Silva, em encontro patrocinado pelo jornal Folha de São Paulo. Isso é fato e está comprovado pelas duas reportagens, uma impressa e a outra em vídeo. Negar o que está escrito e gravado é desonestidade intelectual. Mais do que isso, é confundir o eleitor.

A coordenação de campanha de Dilma Rousseff  possui números que comprovam que o eleitor católico e evangélico, em sua maioria, rejeita a candidata petista. Como se isso só não bastasse, chegou ao conhecimento do PT que cresce, nas redes sociais, movimentos contrários ao posicionamento  de Dilma,  que seria favorável à legalização do aborto.

A candidata tem se esforçado para negar o que realmente afirmou, aumentando mais ainda a desconfiança do eleitor com relação às suas opiniões. O ministro licenciado, Alexandre Padilha, ficou encarregado pela coordenação de campanha de desconstruir o discurso original de Dilma Rousseff, sempre em defesa  da legalização do aborto.

O discurso de Padilha é no sentido de que tanto Dilma como Serra pensam igual em relação ao tema. Padilha mente. E de forma descarada, pois contra os fatos não há nada que possa ser feito. Aliás, Padilha deveria ter um pouco mais de cuidado no papel de tarefeiro do partido, pois antes de ser ministro é médico por formação e sabe, melhor do ninguém, a gravidade do que está sendo discutido.

Essa mudança de opinião de Dilma Rousseff está provocando um efeito perverso, pois para o eleitor já no dia seguinte ela pode mudar de opinião e voltar a defender a legalização do aborto. Na verdade, Dilma não só expôs a sua posição pessoal sobre o assunto, como reproduziu o que consta do seu programa de governo, quando trata de saúde pública.

José Serra defende posição divergente, totalmente contrário à descriminalização do aborto. As duas posições são antagônicas e nem mesmo se aproximam, seja na forma ou no conteúdo. Não restam dúvidas que na sociedade civil existem grupos que defendem a tese de que o aborto deva ser descriminalizado, com base em argumentos fortíssimos, principalmente quando está em jogo a saúde da mulher. Na outra ponta, movem-se grupos que consideram a descriminalização do aborto como um atentado à vida. Argumento que não pode ser descartado, com a mera alegação de se tratar de uma justificativa moral ou religiosa.

Curiosamente, a candidata Dilma Rousseff está se afastando da sua posição e do programa do seu partido – apesar de acreditar que esta é a melhor saída para as mulheres que não desejam ser mães – visando apenas fins eleitoreiros. Dilma Rousseff não mudou de opinião sobre a descriminalização do aborto. Nessa altura do campeonato, negar o que disse pode lhe trazer muito  mais prejuízo eleitoral caso permanecesse com a posição inicial.

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(*) Nilson Borges Filho é mestre, doutor e pós-doutor em Direito e articulista colaborador deste blog.

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