Genoino cita Chico Buarque para explicar os crimes do mensalão em recurso encaminhado ao STF. Faz sentido!

08/11/2013 às 19:14

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Genoino cita Chico Buarque para explicar os crimes do mensalão em recurso encaminhado ao STF. Faz sentido!

Ai, ai, ai. Quero dizer: “Au, au, au”

Vai ter gente toda arrepiada. Mais adiante, reproduzo um trecho de reportagem de Severino Motta, na Folha Online. Revela o conteúdo do recurso apresentado ao Supremo pela defesa de José Genoino. Ualá! Cita a passagem de um dos trechos mais cretinos jamais produzidos por um cantor de MPB. Sim, é de Chico Buarque. E, antes que se convoque a luta armada contra mim ou que alguma senhora menos contida resolva se contrapor com gentilezas aos meus latidos, observo. Sim, sim: ele é um bom letrista lírico — dos melhores. O problema é seu esquerdismo de “brilhos e bolhas” (né, Caetano?). Na defesa de Genoino, cita-se esta pérola do submarxismo de boteco:

“a história é um carro alegre/
cheio de um povo contente/
que atropela indiferente/
todo aquele que a negue”.

Entenderam, né? Está tudo escrito já. Os mais afoitos relaxem. Aquele tempo chegará…. Reproduzo trecho da reportagem. Volto depois.
*
O deputado licenciado José Genoino (PT-SP) enviou nesta sexta-feira ao STF (Supremo Tribunal Federal) um recurso contra sua condenação no processo do mensalão. Em 25 páginas, sua defesa cita Chico Buarque e chama de ingênuo quem acreditou na história de compra de apoio parlamentar no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. “Por maior respeito que se tenha por aqueles que ingenuamente acreditaram na maior ficção da história brasileira, a estória do mensalão –urdida pelo maligno rancor de Roberto Jefferson (…) fato é que reuniões entre presidentes de partidos visando apoio ao governo não constitui, por óbvio, a prática de qualquer ilícito”, diz trecho do recurso.

Repleto de palavras de ordem, a defesa de Genoino intercalou frases de efeito sobre a inocência do deputado com versos da música “Cancion por la unidad latinoamerica”, de Chico Buarque e Pablo Milanés. “José Genoino Neto não merece a pecha de bandoleiro. José Genoino Neto não integra quadrilha. José Genoino Neto, sem favor algum, merece absolvição”, diz o recurso pouco depois de citar trecho da ‘Cancion’: “a história é um carro alegre / cheio de um povo contente / que atropela indiferente / todo aquele que a negue”.

Mostrando indignação não somente por sua condenação por formação de quadrilha, na qual obteve os quatro votos necessários para apresentar o novo recurso, conhecido como embargos infringentes, Genoino também critica a mídia, para ele “panfletária e reacionária”, e diz que “brigará até o fim de sua existência pela causa de sua inocência” também no crime de corrupção. “[Genoino] Não se resigna e nem nunca se resignará. Não aceita e jamais aceitará sua condenação (…) brigará hoje e até o fim de sua existência (…) quando for e onde for pela causa de sua inocência”.

No recurso o deputado ainda destaca que não quer somente conquistar o “coração e mente” dos novos ministros, Luís Roberto Barroso e Teori Zavascki, em sua tentativa de absolvição pelo crime de formação de quadrilha. Quer, também, fazer com que os ministros que condenaram seu cliente “evoluam” e concordem com o revisor do mensalão, Ricardo Lewandowski, que inocentou os réus.
(…)

Voltei
Nossa! Temo ler o conteúdo inteiro do recurso e pegar em armas. Nunca antes na história destepaiz o presidente de um partido se meteu numa operação tão escusa com propósito tão heroico. Na defesa de Genoino, vai a síntese da velharia do pensamento de esquerda que remanesce no PT. Seus crimes devem ser encarados como atos de resistência. É um troço obviamente vergonhoso.

Espero que o ministro Luís Roberto Barroso não se comova. Ao negar provimento a um embargo de declaração de Genoino, Barroso cantou as glórias da biografia do condenado, um grande paladino, segundo se entende, da luta democrática. Não ficou claro se o ministro se referia à guerrilha do Araguaia, que, como se sabe, buscava instaurar no Brasil o reino da justiça e da igualdade maoístas.

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Mais Chico
A citação da música vem bem a calhar. É, admito, um bom achado para a espécie de defesa que se faz. Genoino é um dos portadores daquele futuro de que trata a letra. Ele é um dos porta-vozes, ou um dos representantes, da tal do “carro alegre”. Se é, então tudo lhe é permitido, e aqueles que se opõem a suas ações são reacionários — um bando de cães que rosnam — contra a alegria popular.

Chico já cantou o regime criminoso de Cuba. Chico já cantou o regime criminoso — e um dos mais corruptos da Terra — de Angola. Não vejo mal nenhum que Genoino tente explicar o mensalão apelando à letra de sua canção.

Au, au, au…

Por Reinaldo Azevedo

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