Notícias do site Veja/Notícias/Brasil/Coluna Reinaldo de Azevedo

01/12/2013 às 7:36

A partir desta segunda, passo a fazer comentários na Jovem Pan

Caros leitores,

a partir desta segunda-feira, passo a fazer comentários de política na Rádio Jovem Pan. Todos os dias. Nada muda na rotina do site ou da coluna semanal na Folha. As intervenções vão ao ar no “Jornal da Manhã” e ao longo do dia, sempre que a rádio julgar adequado em seus boletins. Em 2014, haverá mais novidades.

Às sextas, participo mais ativamente do jornal, entre 7h30 e 9h30. Vocês são os culpados! Deram trela a este bloguinho, hehe.

Na segunda, então, começa Reinaldo Azevedo com banda sonora, hehe.

Conto com a fidelidade dos que amam e dos que odeiam (ainda mais fiéis!) para ajudar a espalhar a novidade.

Jovem Pan

Por Reinaldo Azevedo

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01/12/2013 às 7:17

Datafolha 1: presidente só não venceria no 1º turno com Marina e Serra como candidatos, cenário dado como improvável; o mais provável é também o mais fácil para a petista. Sorria, Dilma!

A Folha publica na edição deste domingo uma nova pesquisa Datafolha sobre a eleição presidencial. A situação da presidente Dilma Rousseff melhorou um pouco em relação à pesquisa anterior do mesmo instituto. A petista tem razão para sorrir de orelha a orelha. Se a eleição fosse hoje, o melhor cenário para ela é justamente aquele considerado o mais provável (nos quadros abaixo, é o “A”): a petista teria 47% das intenções de voto; o tucano Aécio Neves ficaria com 19%, e Eduardo Campos, dos PSB, com 11%. Notem que a presidente oscilou dois para cima; o tucano, dois para baixo, e Campos caiu 4.

Quando Marina Silva aparece como a candidata do PSB, Dilma fica com 42%, a ex-senadora obtém 26%, e o tucano, 15%. Observem que nesse cenário (o “B”), a petista sobe 3 pontos, Marina cai 3%, e Aécio oscila dois para baixo. A soma dos adversários chega a 41 pontos, contra 42 de Dilma. O mais provável é que a presidente vencesse no primeiro turno também, embora fique na margem de erro. Vejam os quadros, publicados na edição impressa da Folha.

 Datafolha-1º-de-dezembro-A-e-B1

Combinação Serra-Marina

A única hipótese, hoje, em que a eleição poderia caminhar para um segundo turno seria uma que combinasse Marina Silva como candidata do PSB e José Serra como candidato do PSDB. Ocorre que esse (o “D”) é, curiosamente, o cenário dado como o mais improvável. Nesse caso, Dilma somaria 41 pontos, contra 43 dos adversários. O cenário C, com Serra como candidato tucano e Campos como o nome do PSB, também não levaria a disputa para uma segunda etapa. A Folha testou ainda o nome de Joaquim Barbosa, tendo Aécio e Campos como candidatos: seriam 38 pontos dos adversários contra 44 de Dilma. O nome do ministro não aparece numa simulação com Marina e Serra — por razões óbvias, há de se supor que haveria segundo turno nesse caso também.

 Datafolha-1º-de-Dezembro-C-e-D

Datafolha-1º-de-dezembro-E

Segundo turno

O segundo turno, para Dilma, seria tranquilo. A menor diferença seria para Marina (12 pontos); a maior, para Campos: 36. Em relação a Aécio, abriria 30; contra Serra, 26, e 24 no enfrentamento com Barbosa.

Datafolha-1º-de-dezembro-segundo-turno-480x182

Por Reinaldo Azevedo

Tags: Datafolha, Eleições 2014

 

01/12/2013 às 7:15

Datafolha 2 – Por que é tão difícil se opor a um governo ruim?

Pois é… A situação eleitoral da presidente Dilma, no Datafolha, melhorou um pouquinho, e a da oposição piorou o mesmo tantinho. Como a dela já era muito melhor, e a de seus adversários, muito pior, então ela pode comemorar. E os que se opõem a ela que lamentem! Antes que entre no mérito da coisa, vamos a algumas obviedades. A candidata Dilma abriu uma folga maior porque, conforme se anteviu aqui (ver arquivo), ela está num processo de recuperação de prestígio. O piso foi junho, quando apenas 30% julgavam seu governo “ótimo ou bom” — agora, são 41%. Curiosamente, de lá pra cá, o governo piorou (escolham o quesito), e a vida das pessoas não melhorou. É que havia bastante coisa de artificial naquela gritaria — e vocês sabem que apontei isso aqui, mesmo pensando o que penso do governo. Caiu os que acham a gestão “ruim ou péssima”: de 25% para 17%. Vejam quadro publicado pela Folha.

 Datafolha-1º-de-dezembro-avaliação

A recuperação do prestígio da presidente é mais lenta no Sudeste, a região mais populosa do país, mas teve expressiva melhora no Nordeste, a segunda em número de eleitores. Os dados sobre renda servirão para excitar os petistas chegados a um arranca-rabo de classes: Dilma obtém seus melhores índices entre os que ganham até 2 salários mínimos, e os piores, entre os que recebem mais de 10. No primeiro grupo, os que acham seu governo bom/ótimo são o triplo dos que acham ruim/péssimo; no outro extremo, as opiniões positivas e negativas estão quase empatadas. Ocorre que a grande massa dos eleitores está  na faixa até cinco salários mínimos. Vejam os quadros.

 Datafolha-1º-de-dezembro-regiões-e-renda-480x350

Agora o mérito

Sei que é um pouco cacete ficar repetindo certas coisas, mas o que posso fazer? Quando os fatos convergem para aquilo que parecia tão óbvio e que foi apontado precocemente em textos analíticos, cumpre, então chamar a atenção para os… fatos!

O Brasil brasileiro e inzoneiro pode inventar o que quiser, mas não conseguirá parir uma teoria revolucionária sobre o regime democrático. Se há coisas que só andam acontecendo por aqui, o mais provável é que se trate de um vício, não de uma virtude; de um defeito, não de uma qualidade — a exceção fica para a simpática jabuticaba.

Para que se possa organizar um discurso de oposição, é necessário que existam valores de oposição. Apelando a alguma ironia, eu diria que tanto eu como os petistas acreditamos na eficácia da guerra cultural. A diferença é que eles sabem travar essa batalha, e seus opositores não têm a menor ideia do que isso significa. Os teóricos da esquerda — mesmo essa esquerda que aí está, de viés cartorial — leram Gramsci para aplicá-lo, e seus adversários não leram para repudiá-lo.

Eu nunca achei, e não acho ainda, que um combate mais aguerrido apenas a um ano do pleito possa dar bom resultado. Todos sabemos que não faltam motivos para se por ao governo. Ocorre que o enfrentamento, tudo indica, já vem um tanto tarde. Na última edição da revista VEJA de 2010, escrevi um longo artigo sobre o futuro da oposição. Transcrevo um trecho. Insisto: texto tem três anos!!!

Nesse ambiente, fazer oposição ao governo liderado pelo PT, partido que atribui a si mesmo a missão de depurar a história, é tarefa das mais difíceis, especialmente quando a minoria parlamentar será minoria como nunca antes na democracia deste país. Ao longo de oito anos, é preciso convir, os adversários de Lula não conseguiram encontrar o tom e se deixaram tragar pela voragem retórica que fez tabula rasa do passado e privatizou o futuro. O PT passa a impressão de já ter visitado o porvir e estar entre nós para dar notícias do amanhã.

A pergunta óbvia é com que discurso articular o dissenso, sem o qual a democracia se transforma na ditadura do consentimento?

Não existem receitas prontas. Mas me parece óbvio que o primeiro passo consiste em libertar a história do cativeiro onde o PT a prendeu. Isso significa mostrar, e não esconder, os feitos e conquistas institucionais que se devem aos atuais oposicionistas e que se tornaram realidade apesar da mobilização contrária bruta e ignorante do PT. Ajuda também falar a um outro Brasil profundo, que não aquele saído dos manuais da esquerda, sempre à espera de reparações e compensações promovidas pelo pai-patrão dadivoso ou a mãe severa e generosa, à espera da “grande virada”, que nunca virá!

Temos já um Brasil de adultos contribuintes, com uma classe média que trabalha e estuda, que dá duro, que pretende subir na vida, que paga impostos escorchantes, diretos e indiretos, a um estado insaciável e ineficiente. Milhões de brasileiros serão mais autônomos, mais senhores de si e menos suscetíveis a respostas simples e erradas para problemas difíceis quando souberem que são eles a pagar a conta da vanglória dos governos. É inútil às oposições disputar a paternidade do maná estatal que ceva megacurrais eleitorais. Os órfãos da política, hoje em dia, não são os que recebem os benefícios – e nem entro no mérito, não agora, se acertados ou não -, mas os que financiam a operação. Entre esses, encontram-se milhões de trabalhadores, todos pagadores de impostos, muitos deles também pobres!

Esse Brasil profundo também tem valores – e valores se transformam em política. O que pensa esse outro país? O debate sobre a descriminação do aborto, que marcou a reta final da disputa de 2010, alarmou a direção do PT e certa imprensa “progressista”. Descobriu-se, o que não deixou menos espantados setores da oposição, que amplas parcelas da sociedade brasileira, a provável maioria, cultivam valores que, mundo afora, são chamados “conservadores”, embora essas convicções, por aqui, não encontrem eco na política institucional – quando muito, oportunistas caricatos os vocalizam, prestando um desserviço ao conservadorismo.

Terão as oposições a coragem de defender seu próprio legado, de apelar ao cidadão que financia a farra do estado e de falar ao Brasil que desafia os manuais da “sociologia progressista”? Terão as oposições a clareza de deixar para seus adversários o discurso do “redistributivismo”, enquanto elas se ocupam das virtudes do “produtivismo”? Terão as oposições a ousadia de não disputar com os seus adversários as glórias do mudancismo, preferindo falar aos que querem conservar conquistas da civilização? Lembro, a título de provocação, que o apoio maciço à ocupação do Complexo do Alemão pelas Forças Armadas demonstrou que quem tem medo de ordem é certo tipo de intelectual; povo gosta de soldado fazendo valer a lei. Ora, não pode haver equilíbrio democrático onde não há polaridade de ideias. Apontem-me uma só democracia moderna que não conte com um partido conservador forte, e eu me desminto.

Antes de saber quem vai liderar um dos polos, é preciso fazer certas escolhas. O Congresso aprovou há pouco, por exemplo, o sistema de partilha para o pré-sal. Não se ouviu a voz da oposição, a exceção foi a senadora Kátia Abreu (DEM-TO). O PT inventou a farsa, amplamente divulgada na campanha eleitoral, de que não passava de “privatização” o sistema de concessão, que conduziu o país à quase auto-suficiência e que fez dobrar a produção de petróleo no governo FHC. Mentiu, mas venceu o embate. Podem vir por aí as reformas. Quais setores da sociedade as oposições pretendem ter como interlocutores? Continuarão órfãos de representação milhões de eleitores que não se reconhecem na ladainha pastosa do “progressismo”? As oposições têm de perder o receio de falar abertamente ao povo que trabalha e estuda. Que estuda e trabalha. Em vez de tentar dividir os louros da caridade, tem de ser porta-voz do progresso.

Essa oposição tem, em suma, de enfrentar uma esquerda que, se morreu há muito tempo na economia, exerce inquestionável hegemonia na cultura e na política, onde se esforça para aplicar o seu programa, cuja marca é ódio à divergência, que ela entende ser expressão da má consciência. Não houve um só teórico esquerdista relevante cujo objetivo não fosse a superação dos “limites” da democracia. Sem esse horizonte escatológico, inexiste esquerdismo.

(…)

Volto a novembro de 2013

O óbvio, leitor, está se lembrando de acontecer, como sempre. Quem sabe surja um dia um partido adversário do PT que não tenha medo do que pensa boa parte, com boa chance de ser a maioria, dos brasileiros…

Por Reinaldo Azevedo

Tags: Datafolha, Eleições 2014

01/12/2013 às 7:09

Filha de Genoino diz que pai não se arrepende e acha que paga o preço para fazer “funcionar o governo Lula e Dilma”. Então chega de ladainha! Ou: Marcola também não pode dar entrevista e não é “preso político”

Na minha coluna na Folha do dia 22 de novembro, escrevi:

“Um dos bons fundamentos do cristianismo é amar o pecador, não o pecado. Fiel à tradição das esquerdas, o PT ama é o pecado mesmo. O pecador é só o executor da tarefa em nome da causa. Leiam a peça “As Mãos Sujas”, de Sartre, escrita antes de o autor se tornar um comunista babão. É esquemática, mas vai ao cerne do surrealismo socialista.”

Muita gente chiou. Pois é… Miruna Kayano Genoino, filha de José Genoino, concede uma impressionante entrevista à Folha deste domingo. Diz que o pai não está arrependido de jeito nenhum! Então tá bom. Cometeu crimes e não se arrepende. Lembrei do que escrevi. No PT, ama-se mesmo é o pecado. O ainda deputado se considera apenas o pecador circunstancial. Segundo Miruna, o pai pensa o seguinte: “Se esse é o preço que tem que pagar para que o projeto do governo Lula e Dilma funcione, ele paga”. Bem, então por que tanta gritaria e chororô? NOTO, EM TODO CASO, QUE, SEGUNDO MIRUNA, GENOINO CONSIDERA QUE FEZ TUDO PARA REALIZAR O PROJETO DE LULA. Eu nunca duvidei disso.

Compreendo que a filha de Genoino defenda o pai. É humano, claro! Só que ela dá uma entrevista política. Idiota, esta professora, que é mestranda, não é. Conhece muito bem o peso das palavras. Até outro dia, parecia que a cardiopatia de Genoino era obra de Joaquim Barbosa. Depois dessa entrevista, a gente descobre que a culpada é a… “mídia”. Sim, Miruna também chama jornalismo de “mídia”. Leiam este trecho (em vermelho):

“Só não larguei o mestrado por causa dele. Soube da aprovação dias depois da condenação [novembro de 2012]. Ele me disse: ‘Querem nos destruir e você não pode permitir. Você vai continuar lutando e fazendo as suas coisas porque não podem nos apagar’. Se você me perguntar quem é o sujeito do “querem”, de cara vou falar que a mídia teve muito a ver com isso. Meu pai teve muitas decepções. Mas com a mídia ela foi devastadora, o coração dele começou a rasgar ali. Ele tem uma mágoa profunda, uma dor com tudo o que é publicado. Quando os jornalistas ficam lá fora de casa, essas manchetes, essa agressividade, esse recorte da realidade é um punhal para ele.”

Pois é… Genoino, então presidente do maior partido do país, participou daquela lambança, teve o topete de voltar à Câmara, de integrar a Comissão de Constituição e Justiça, mas não queria que jornalistas se ocupassem dele.

A entrevista, no que diz respeito à política — só louvo o amor da filha —, é patética do começo ao fim. E chega a ser tola. Leiam este trecho:

“Meu pai está proibido de emitir opinião, de dar entrevistas, e dizem que ele não é preso político. Então por que ele não pode falar? É preso político, sim. Meu pai foi condenado porque era presidente do PT.”

Fernandinho Bier-Mar e Marcola também estão proibidos de conceder entrevistas, e ninguém diz que são “presos políticos” — Genoino, aliás, concedeu uma já depois de preso. “Está comparando os três, Reinaldo?” Os crimes são diferentes, mas todos são condenados pela Justiça. A proibição de conceder entrevistas não torna ninguém um “preso político”.

Errado, moça! Seu pai é um “político preso”. E não pode dar entrevistas porque é um preso, a menos que você ache que ele deveria ter esse privilégio por ser um político… Acha?  Seu pai está preso porque meteu a assinatura em empréstimos fraudulentos. Mais do que isso: serviu de avalista de operações sabendo que nem mesmo tinha bens compatíveis com essa condição.

A filha Miruna dá mais uma prova de amor. A Miruna que fala sobre política demonstra que não aprendeu nada.

Por Reinaldo Azevedo

Tags: José Genoino, Miruna Genoino

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